✍Lições
Bíblicas Dominical Adultos – 2°
Trimestre de 2022 CPAD
✍Título: OS VALORES DO REINO DE
DEUS.
A relevância do Sermão do Monte para a Igreja de Cristo
✍Comentarista: Pr. Osiel Gomes
✍Editora: Casa Publicadora das Assembleias de Deus
✍Divulgação: Subsídios Dominical
📚 TEXTO ÁUREO
“Eu, porém, vos
digo que qualquer que, sem motivo, se encolerizar contra seu irmão será réu de
juízo [...].” (Mt 5.22)
💡 VERDADE PRÁTICA
A
cólera e a ira não podem dominar o coração do crente. Elas devem ser evitadas e
vencidas com o ensino do Evangelho.
⏰
LEITURA
DIÁRIA
🎯 Segunda - Mt 5.21
Um
mandamento que preserva e sacraliza a vida
🎯 Terça - Mt 5.22
O
verdadeiro alcance do sexto mandamento
🎯 Quarta - 1 Jo 3.15
Quem
aborrece o seu irmão é homicida
🎯 Quinta - 1 Jo
4.20
Quem
diz amar a Deus, mas aborrece seu irmão, é mentiroso
🎯 Sexta - Sl
66.13-20
Entregue
a sua oferta com um coração puro
🎯 Sábado - 1 Co
6.1,5
Os
cristãos devem ter maturidade para resolver as desavenças
📖 LEITURA BÍBLICA EM CLASSE
Mateus 5.21-26
21
- Ouvistes que foi dito aos antigos: Não matarás; mas qualquer que matar será
réu de juízo.
22
- Eu, porém, vos digo que qualquer que, sem motivo, se encolerizar contra seu
irmão será réu de juízo, e qualquer que chamar a seu irmão de raca será réu do
Sinédrio; e qualquer que lhe chamar de louco será réu do fogo do inferno.
23
- Portanto, se trouxeres a tua oferta ao altar e aí te lembrares de que teu
irmão tem alguma coisa contra ti,
24
- deixa ali diante do altar a tua oferta, e vai reconciliar-te primeiro com teu
irmão, e depois vem, e apresenta a tua oferta.
25
- Concilia-te depressa com o teu adversário, enquanto estás no caminho com ele,
para que não aconteça que o adversário te entregue ao juiz, e o juiz te
entregue ao oficial, e te encerrem na prisão.
26
- Em verdade te digo que, de maneira nenhuma, sairás dali, enquanto não pagares
o último ceitil.
🎵 HINOS SUGERIDOS 🎵
35, 42, 46 da Harpa Cristã
PLANO
DE AULA
1.
INTRODUÇÃO
A presente lição mostrará que o Evangelho do Senhor Jesus tem uma
dimensão moral muito bem delimitada. Nesse sentido, essa dimensão moral não
abre margem para que sentimentos hostis ao Evangelho façam parte da vida
interior do crente. Veremos que evitar a cólera é uma atitude sábia para evitar
pecados trágicos como o do homicídio.
2. APRESENTAÇÃO DA LIÇÃO
A) Objetivos da Lição:
I) Expor que o Evangelho não é Antinomista;
II) Pontuar que a cólera é o primeiro passo para o homicídio;
III) Correlacionar o ato de ofertar com a desavença.
B) Motivação: Muitas pessoas praticam ações trágicas por
causa dos atos precipitados e impensados. Se houvesse uma pausa, ou se desviasse
o pensamento por alguns instantes, o mal não ocorreria. As consequências da
cólera, da ira estão por todos os lados: trânsito, banco, filas de espera etc.
C) Sugestão de Método: Selecione cenas de
agressividade no trânsito ou numa fila. Apresente essas cenas em classe e
solicite os alunos que as analise. Pergunte-os se vale mesmo a pena desperdiçar
energia com coisas que, geralmente, uma boa e educada conversa resolveria.
Contraste sempre essas cenas com os valores opostos que a lição apresenta.
3. CONCLUSÃO DA LIÇÃO
A) Aplicação: Ao final da aula, solicite aos alunos a
realizarem uma autoanálise. Como tem sido o comportamento no trânsito? Quantas
vezes no dia eles perceberam a presença do sentimento de ira ou da cólera? Eles
têm consciência de que esses sentimentos fazem mal a saúde emocional? Por que
no lugar dessas emoções ruins e pesadas, não cultivar sentimentos nobres da
Palavra de Deus?
4. SUBSÍDIO AO PROFESSOR
A) Revista Ensinador Cristão. Vale a pena conhecer essa revista que
traz reportagens, artigos, entrevistas e subsídios de apoio à Lições Bíblicas.
Na edição 89, p.38, você encontrará um subsídio especial para esta lição.
B) Auxílios Especiais: Ao final da dos tópicos, você encontrará
auxílios que darão suporte na preparação de sua aula: 1) O auxílio localizado ao final do segundo tópico traz um
aprofundamento da questão tratada no tópico a respeito do sentimento da raiva;
2) O texto que encontra-se ao final do terceiro tópico é uma proposta que pode auxiliar
você na aplicação da lição, pois ele revela as dimensões práticas que o
seguidor de Jesus deve observar na caminha cristã.
INTRODUÇÃO
Nesta
lição aprenderemos com o Mestre Divino que o Evangelho não é antinomista (a
partir da explicação desse conceito), que a cólera é a antessala do homicídio e
que para devotar a nossa vida a Deus, precisamos nos reconciliar com o próximo.
Veremos que o nosso Senhor colocou em alta conta o valor da pessoa humana e,
por isso, a seção bíblica de Mateus 5.21-26 será o objeto de nosso estudo.
PALAVRA-CHAVE
Sentimento
I – O
EVANGELHO NÃO É ANTINOMISTA
1.
O que é Antinomismo?
A
palavra nos fornece a própria definição: constituída do grego Anti, que quer
dizer “contra”; e nómos, “lei”; diz respeito a tudo contrário à lei, normas e
regras. A palavra traz a ideia de que os cristãos não precisam obedecer à lei
moral do Antigo Testamento. Defensores antinomistas dizem que a Lei não teve
origem em Deus Pai e que, por isso, ela deve ser rejeitada. Há os que dizem que
Deus havia determinado por decreto a existência do pecado, de modo que jamais
se pode evitá-lo, por isso, não há razão para a existência da Lei. Por fim,
outros ainda defendem simplesmente que a Lei é oposta ao Evangelho. Entretanto,
veremos que esses ensinos violam as Escrituras e que o Antinomismo é um desvio
da Palavra de Deus (Rm 6.15,16).
2.
A Lei e o Evangelho.
Conforme
visto em lição anterior, Jesus não desprezou a Lei. Em Mateus 5.21 vemos
claramente isso. A expressão “Ouvistes o que foi dito aos antigos” aponta para
uma retrospectiva de um ponto da Lei de Moisés. Diferentemente dos escribas e
fariseus, nosso Senhor deu ênfase à autoridade da Lei e revelou a real intenção
de Deus presente nela. Atente para o mandamento “Não matarás” (Êx 20.13).
Enquanto os escribas e fariseus interpretavam esse mandamento de maneira
restrita ao ato literal de matar uma pessoa, nosso Senhor o ampliou e
aprofundou, demonstrando que o homicídio tem início no coração do ser humano a
partir da ira, do ódio, da cólera (cf. Mt 5.22).
3.
Legalismo x Antinomismo.
O
legalismo é uma atitude que se concentra na observância e prática rigorosa das
leis como elemento determinante para uma comunidade alcançar o favor de Deus.
Por outro lado, o antinomismo rejeita todo tipo de normas morais, deixando a
pessoa livre para pecar. Assim, o legalismo foi refutado duramente pelo apóstolo
Paulo (Fp 3.3,4), e o antinomismo fere de morte a vocação dos cristãos para a
santidade (Rm 1.7; 1 Pe 1.15,16). Como
amamos todo o conselho de Deus revelado nas Sagradas Escrituras, afirmamos que
os princípios morais divinos revelados na Bíblia, a Palavra de Deus, são
atemporais, válidos em qualquer época e cultura. E, por isso, o cristão fiel à
Bíblia tem cuidado tanto com o legalismo quanto com o antinomismo.
O
cristão fiel à Bíblia tem cuidado tanto com o legalismo quanto com o
antinomismo.”
SINÓPSE I
O
Evangelho não é antinomista, isto é, ele tem normas, regras e limites claros. O
Evangelho também não é legalista, isto é, não está preso a observâncias
rigorosas de datas, dietas e outras práticas religiosas, esperando algum favor
divino
AMPLIANDO O CONHECIMENTO
O que o Antinomismo alega?
“Alegam os antinomistas que, salvos pela fé em Cristo Jesus, já
estamos livres da tutela de Moisés. Ignoram, porém, serem as ordenanças morais
do Antigo Testamento pertencentes ao elenco do direito natural que o Criador
incrustara na alma de Adão. [...] Todo crente piedoso observa [as ordenanças morais da Lei]; pois
Cristo não veio revogá-las; veio cumpri-las e sublimá-las.” Amplie mais o seu
conhecimento, lendo o Dicionário Teológico, editado pela CPAD, p.51.
II –
A CÓLERA É O PRIMEIRO ATO PARA O HOMICÍDIO
1.
Jesus e o sexto mandamento.
Jesus
não anulou o sexto mandamento do Decálogo (Êx 20.13; Dt 5.17). Contudo, sua
interpretação foi mais elevada e profunda, pois revelou que a ira ou cólera
contra um irmão é um tipo de homicídio no coração, como bem afirmou o apóstolo
João: “Qualquer que aborrece a seu irmão é homicida. E vós sabeis que nenhum
homicida tem permanente nele a vida eterna” (1 Jo 3.15).
Não por acaso que o
verbo “irar” no grego, em Mateus 5.22, é orgizo, que significa provocar, incitar a ira,
estar zangado, estar enfurecido. A fúria e a ira de Caim o levaram a cometer o
primeiro homicídio contra o próprio irmão (Gn 4.5,8). Portanto, o sexto
mandamento não envolve apenas uma sanção penal, mas elementos mais profundos
como palavras, emoções, insultos e outras ações que se antecipam ao
homicídio.
2.
A cólera no contexto bíblico.
Tanto
o salmista quanto o apóstolo Paulo escreveram que um servo de Deus pode
irar-se, mas não deve pecar (Sl 4.4; Ef 4.26). A ira é uma emoção humana. Por
isso, na Bíblia, vemos pessoas justas se irando contra o pecado, contra os atos
desumanos, contra o desrespeito à Palavra de Deus (Os 4.1-3). Nosso Senhor
manifestou ira contra os que faziam do templo um “covil de ladrões” (Jo
2.13-17). Entretanto, a ira não pode nos controlar e devemos examinar se ela
provém de um espírito reto, de um coração puro, ou se é uma obra da carne, do
tipo pecaminosa, orgulhosa, odiosa e vingativa (Gl 5.20). O imperativo bíblico
é que a ira não pode nos dominar (Ef 4.26; Hb 12.15).
3.
O valor da pessoa humana.
Em
Mateus 5.21,22 Jesus enfatizou o valor da pessoa humana. Por isso, chamar
alguém de raca, que significa inútil, cabeça oca e vazia, é uma ofensa grave,
igualada à blasfêmia. Ou chamar o outro de “louco”, do grego môros, que significa
ímpio, incrédulo, é uma conduta moralmente desprezível. Observe que, para quem
manifestasse esses tipos de comportamentos, o fim era se tornar réu do Sinédrio
e receber a condenação para o fogo do Inferno, do grego Geena, respectivamente.
Nesse sentido, nosso Senhor mostra que não só peca quem comete um homicídio,
mas igualmente os que nutrem a cólera, o ódio e o rancor no coração.
A
vida humana tem um valor sagrado. Por isso, o patrão deve tratar bem o seu
empregado e este, consequentemente, deve respeitar o patrão; o irmão não pode
fazer acepção de pessoas para com o outro irmão, quer por causa da cor da pele,
quer por diferenças econômicas, pois como o apóstolo Pedro disse: “Reconheço,
por verdade, que Deus não faz acepção de pessoas” (At 10.34).
SINÓPSE
II
A
cólera é o primeiro passo para a prática do homicídio.
AUXÍLIO BIBLIOLÓGICO
“A verdadeira batalha pela lei do Reino não está nas simples ações
externas ou efetuação de movimentos, pouco importando quão detalhados sejam;
antes, a batalha é ganha ou perdida no coração, onde reside à vontade. [...] A
maioria dos pecados é premeditada; requerem-se ações anteriores e às vezes
drásticas para evitar que a semente dê raiz e produza uma colheita amarga.
Assim, os remédios de Jesus parecerão extremos, mas a malignidade tem de ser
isolada e removida o quanto antes, para que haja a melhor chance de
recuperação. A prevenção é suprema.
[...] A proibição no versículo 21 não é a matança em geral, mas
assassinato, matança que é contrária à lei. Jesus intensifica a lei indo ao
âmago da questão: a vontade humana. O assassinato começa com a raiva; a pessoa
tem de lidar com a raiva a fim de evitar o assassinato” (ARRINGTON, French L;
STRONSTAD, Roger (Eds.) Comentário Bíblico Pentecostal Novo Testamento. Rio de
Janeiro: CPAD, 2003, p.45).
III –
A “OFERTA DO ALTAR” E A DESAVENÇA
1.
A oferta do altar.
Em
Mateus 5.23,24, Jesus se dirige aos discípulos e faz com que cada um examine a
si mesmo, pois um servo do Senhor não pode ofertar no altar com um coração
cheio de ira e rancor. Afinal, dizer amar a Deus, mas odiar o irmão é cair na
mentira (1 Jo 4.20). Para o judeu, ofertar era um ato sagrado e tal atitude
fazia-o reconhecer a bondade de Deus para com ele (Gn 4.3,5; Êx 25.2; Lv 1.2;
Sl 66.13).
Nesse
sentido, o Senhor Jesus valorizava esse ato. Entretanto, não adiantava
reconhecer a bondade de Deus, mas não se reconciliar com o irmão. Cabe
ressaltar que o verbo grego para “reconciliar”, é diallassô, que significa mudar a mente de alguém,
renovar a amizade com alguém. Ele é encontrado no Novo Testamento apenas uma
vez, em Mateus 5.24. Portanto, o ensinamento de nosso Senhor é claro: não há
relacionamento correto com Deus sem relacionamento verdadeiro com o irmão.
2.
Evitando a desavença.
Os
versículos 25 e 26 de Mateus 5 têm relação com os versículos 23 e 24, mas uma
conotação diferente: os versículos 23 e 24 dizem respeito à adoração; os 25 e
26 dizem respeito ao processo legal. Ambos, porém, procuram advertir os
discípulos quanto ao problema da desavença entre irmãos. Nos versículos 25 e
26, nosso Senhor enfatiza que é preciso buscar uma solução para a desavença
entre irmãos fora do tribunal. Naquela época, quando a pessoa era sentenciada,
pagaria até o último kodrantes
(de origem latina), que significa quadrante (aproximadamente a quarta parte de
um “asse”), a menor moeda de cobre romana, valendo cerca de um quarto de um
centavo. Nosso Senhor, portanto, nos convida a sanar as desavenças entre nós e,
assim, preservarmos o bom testemunho. Atentemos para a reflexiva indagação do
apóstolo Paulo: “Ousa algum de vós, tendo algum negócio contra outro, ir a juízo
perante os injustos e não perante os santos? [...] Não há, entre vós sábios,
nem mesmo um, que possa julgar entre seus irmãos?” (1 Co 6.1,5).
SINÓPSE III
Antes de ofertar, o seguidor de Cristo deve reparar
qualquer tipo de desavença.
AUXÍLIO VIDA CRISTÃ
“[Mateus] 5.23,24 - Relações rompidas podem dificultar o nosso
relacionamento com Deus. Se tivermos uma mágoa ou uma queixa contra um amigo,
devemos solucionar o problema o mais breve possível.
[Mateus] 5.25,26 - Na época de Jesus, uma pessoa que não pudesse
pagar sua dívida era lançada na prisão até que o pagamento fosse efetuado. A
menos que alguém pagasse a dívida por ela, provavelmente morreria ali. É um
conselho prático para solucionarmos as diferenças com os nossos inimigos, antes
que a ira deles venha a causar-nos maiores dificuldades (Pv 25.8-10). Você pode
não entrar em uma discordância que o leve aos tribunais, mas até os pequenos
conflitos podem ser mais facilmente resolvidos se as pazes forem feitas logo.
Em um sentido mais amplo, esses versículos nos aconselham a agir rapidamente,
procurando ter a paz com os nossos semelhantes, antes que sejamos obrigados a
apresentar-nos perante Deus” (Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal. Rio Janeiro:
CPAD, 2004, p.1225).
CONCLUSÃO
Como
servos de Cristo que vivemos as verdades do Evangelho, não deixemos que
pensamentos, palavras e ações firam o nosso próximo, nem deixemos que as
desavenças tornem-se disputas entre nós. Em caso de desavenças e
desentendimento, à luz das Escrituras, deve-se reconciliar-se imediatamente,
seguir em paz com todos (Hb 12.14), pois é isso que o nosso Deus desejou quando
escreveu: “Não matarás!”.
REVISANDO
O CONTEÚDO
1.
Que ideia a palavra Antinomismo traz?
A
palavra traz a ideia de que os cristãos não precisam obedecer à lei moral do
Antigo Testamento.
2.
O que o Antinomismo rejeita?
O
antinomismo rejeita todo tipo de normas morais, deixando a pessoa livre para
pecar.
3.
O Senhor Jesus anulou o sexto mandamento?
Jesus
não anulou o sexto mandamento do Decálogo (Êx 20.13; Dt 5.17). Contudo, sua
interpretação foi mais elevada e profunda, pois revelou que a ira ou cólera
contra um irmão é um tipo de homicídio no coração.
4.
Qual o imperativo bíblico para a ira?
O
imperativo bíblico é que a ira não pode nos dominar (Ef 4.26; Hb 12.15).
5.
Qual o ensinamento de nosso Senhor quanto à desavença?
Nos
versículos 25 e 26, nosso Senhor enfatiza que é preciso buscar uma solução para
a desavença entre irmãos fora do tribunal. É preciso sanar as desavenças entre
nós e, assim, preservarmos o bom testemunho.