Essa pergunta
é muito pertinente ao contexto pós-pentecostal hodierno. Contudo, a
resposta deve evitar a evasiva, que disfarça a verdade, e a complexidade, que
obscurece o entendimento.
Portanto, a fim de lograrmos êxito em nosso intento,
não é apenas necessário, como também plausível, que consideremos as duas
indispensáveis dimensões dessa pergunta: histórica
e bíblica.
SUGESTÃO
PARA VOCÊ:
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sua doutrina e relevância para o Cristianismo
Histórica. Essa
dimensão fundamenta-se no irrefutável testemunho histórico. Para evitarmos
longas citações e personagens, podemos considerar o relato de John Wesley a
respeito de sua experiência na véspera do Ano Novo de 1739. George Whitefield,
Charles Wesley, John Wesley e três outras pessoas estavam presentes em uma
vigília em Fetter Lane. Às três da manhã, o poder de Deus veio sobre eles de
modo tão veemente que John afirmou: “Muitos gritaram com uma alegria santa,
enquanto outros foram lançados ao chão. Alguns foram caindo gradativamente, sem
que nenhuma força permanecesse neles. Outros tremeram e foram sacudidos
excessivamente”.
Experiências pentecostais
como essas são atestadas por Charles Spurgeon, Charles Finney, William Joseph
Seymour, J.P. Kolenda, Pat Robertson, Bill Brigth, entre outros. A mais
importante tradição de culto no protestantismo norte-americano, conhecida como
“tradição de reavivamento”, que floresceu nos limites territoriais a oeste dos
Montes Apalaches, no século 18, testemunha inúmeras experiências como as dos
irmãos Wesley. Como fato que marca a história do pentecostalismo, somente
alguém que seja adepto das piores formas de polissemia seria capaz de ignorar
essas evidências. Entretanto, perceba o caráter involuntário dessas
manifestações físicas - elas não foram programadas, gerenciadas ou provocadas,
apenas aconteceram!
Bíblica. Não há qualquer evidência escriturística que ateste, aprove,
incentive ou confirme essa manifestação. Ao lermos a Escritura em 1Coríntios 12
e 14, encontramos quatro vocábulos que classificam diferentes formas de
adoração pentecostal: pneumatikos, idiotikos, manikos e charismata.
O primeiro é definido
como adoração guiada e definida pelo Espírito Santo, mediante a manifestação
pública dos dons espirituais.
O segundo refere-se à
adoração determinada e definida pelos critérios de pessoas que não entendem e
não creem nos dons espirituais.
O terceiro, maniko,
descreve uma adoração caracterizada por manifestações que distorcem e abusam
dos dons espirituais. O último, charismata, diz respeito à adoração por
meio do exercício dos carismas espirituais.
Como podemos perceber, o “cair no poder”
ajusta-se mais a maniko do que apneumatikos e charismata.
A adoração pneumatikos mantém a posição principal da adoração
mediante a expressão dos charismata ou dons espirituais, mas a adoração maniankos
opõe-se ao verdadeiro propósito da adoração por intermédio dos charismata.
Não é sem razão que manifestações pseudo-pneumáticas (espiritualmente
falsas), que geralmente são gerenciadas por “figurões” do pentecostalismo, são
chamadas de “carismania” - uma mistura de charismata com manikos.
Concluindo as observações acima expendidas,
chegamos à verossímil constatação de que a manifestação de atos físicos e
vocais são comuns na história dos reavivamentos mundiais do passado e do
pentecostalismo clássico. Entretanto, na era pós-pentecostal, têm sido usadas mecanicamente
por “líderes carismaníacos” e como fins em si mesmas, a fim de causar
expectação e assombro aos crentes imaturos quanto à fé. Essas manifestações não
são sustentadas por uma exegese coerente das Sagradas Escrituras, nem pelo
escrutínio dos propósitos dos dons e muito menos pelo bom siso.
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Artigo: Pr. Esdras Costa Bentho