Observação: Subsídio Bíblico para a lição 13 – Classe: Jovens. 3°
Trimestre de 2019.
Pedro está chegando ao
final da sua segunda epístola, e depois de ter advertido os crentes acerca dos
falsos mestres e suas heresias, ele tem uma palavra de ânimo e de esperança
firmada na certeza da volta de Jesus, pois foi o Senhor quem o prometeu.
I- Escarnecedores da Vinda de Cristo
1. Os escarnecedores
dos últimos dias (2 Pe 3.3)
“Sabendo primeiro
isto”, no versículo 3, revela que o que Pedro tem a dizer a seguir é de
importância fundamental. “Nos últimos dias virão escarnecedores, andando
segundo as suas próprias concupiscências”. Escarnecedores são aqueles que
zombam, ridicularizam e manifestam desdém por aquilo que deveria ser tratado
com reverência e seriedade. Eles são guiados por suas próprias paixões, e fazem
cinismo das coisas sérias, posando com ar de superioridade.
Esses zombadores faziam
gracejos não somente com a demora na vinda de Jesus, mas principalmente com a
promessa em si. Afinal, para o hedonista pouco importa o mundo futuro, o que
vale é o aqui e o agora. Para o materialista, não existe nada no mundo além
daquilo que pode ser visto e tocado. “Para os homens que nutrem uma crença na
autodeterminação e perfectibilidade humanas, pois a própria ideia de que somos
dependentes e teremos que prestar contas é uma pílula amarga para engolir.”
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Pedro afirma que esses
escarnecedores surgiriam nos últimos dias. Certamente, Pedro não está se
referido a um futuro distante, mas algo que já estava ocorrendo naqueles dias.
Cabe lembrar que “últimos dias” é uma expressão bíblica que alude ao período
que começa com a ressurreição de Jesus e se estenderá até a sua volta, quando
estabelecerá o seu Reino e julgará toda a humanidade. Os cristãos primitivos
acreditavam piamente que o futuro havia começado, atestado pelo derramamento do
Espírito, que também servia de garantia da futura consumação.
Enquanto Jesus não
voltar, diz as Escrituras, muitos rirão da verdade (1 Tm 4.1,2; 2 Tm 3.1-9),
num tempo marcado pela multiplicação da iniquidade. Mas a Bíblia também alerta
para o fim dos escarnecedores: “Não erreis: Deus não se deixa escarnecer;
porque tudo o que o homem semear, isso também ceifará” (Gl 6.7).
A indignação de Pedro
era porque os hereges estavam zombando do ensino cristão da parousia, a
promessa da vinda de Cristo. Eles questionavam acerca do seu cumprimento. Onde
está a promessa da sua vinda? A pergunta maldosa queria dar a entender o seguinte:
se Cristo não tinha vindo até aquele momento, Ele nunca mais o faria. Com isso,
estavam dizendo que as palavras de Jesus não eram dignas de confiança (Mc
13.26,27; Lc 21.27; Jo 14.6). Tal postura, observou Stanley Horton, é
semelhante a dos impenitentes do Antigo Testamento que zombavam das
advertências divinas acerca da iminência do julgamento de Judá e Jerusalém: “O
Senhor não faz bem nem mal” (Sf 1.12).
E preciso observar que
os falsos doutores não se contentavam em viver de maneira ímpia, segundo suas
concupiscências; eles também insistiam em zombar do cristianismo. Ainda hoje,
esses escarnecedores riem de Deus, fazem deboche da igreja e menosprezam as
coisas sagradas. Não raro, presenciamos grupos de humor que fazem piadas dos
valores cristãos e manifestações públicas que ultrajam símbolos religiosos,
muitas vezes sob título de arte.
2. Qual era o argumento
ao qual os falsos mestres apelavam para justificar a descrença na volta de
Cristo?
Eles diziam: “Porque
desde que os pais dormiram todas as coisas permanecem como desde o princípio da
criação” (2 Pe 3.4). Na concepção dos falsários da fé, a história humana seguia
uma continuidade permanente no tempo, sem espaço para mudanças miraculosas. O
mundo é o mesmo desde que foi criado e, portanto, é impossível acreditarem em
acontecimentos extraordinários, muito menos na Segunda Vinda de Cristo.
Os falsos mestres
assumem declaradamente uma perspectiva naturalista e materialista do mundo,
segundo a qual todas as coisas são julgadas e compreendidas a partir do que os
olhos podem ver e as mãos podem tocar. Apesar de supostamente crerem em Deus,
os falsos doutores eram movidos por premissas éticas e filosóficas que
simplesmente anulavam a possibilidade da intervenção divina na história e na
natureza. Se a religião é avaliada simplesmente a partir daquilo que o mundo
demonstra, ou de acordo com a “comprovação científica”, então não sobra nenhum
espaço para Deus.
Naturalismo e
cristianismo são visões de mundo conflitantes. Enquanto o naturalismo começa
com a suposição fundamental de que as forças da natureza sozinhas são
suficientes para explicar tudo o que existe, a fé cristã declara que todas as
coisas foram criadas por Deus e por Ele todas as coisas são sustentadas. Embora
os escarnecedores afirmassem possuir um certo tipo de espiritualidade, no fundo
o deus deles era a própria Natureza. É nesse sentido que Paulo escreve aos
Romanos: “E mudaram a glória do Deus incorruptível em semelhança da imagem de
homem corruptível, e de aves, e de quadrúpedes, e de répteis. Pelo que também
Deus os entregou às concupiscências do seu coração, à imundícia, para desonrarem
o seu corpo entre si; pois mudaram a verdade de Deus em mentira e honraram e
serviram mais a criatura do que o Criador, que é bendito eternamente. Amém!”
(Rm 1.23-25).
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Movidos pelo alerta de
Pedro, devemos tomar todo o cuidado para não cairmos no engano de uma religião
naturalista e antissobrenaturalista. Esse cuidado deve ser redobrado na
presente época, na qual prolifera um tipo de descrença, não a descrença na
religião (e nas igrejas), mas a descrença no Deus das Escrituras: pessoal,
soberano e que se interessa pelo ser humano. Uma descrença prática que, a
despeito de se afirmar crer em Deus, não acredita que Ele seja capaz de
“manifestar o seu braço”, intervir na história e efetuar milagres em nossos
dias. Eis a razão pela qual notamos um sem número de ateus práticos em nossas
igrejas: creem com os lábios, mas descreem com o coração.
3. Deus não retarda a
sua promessa (2 Pe 3.8,9)
No versículo 8, Pedro
direciona uma palavra de ânimo e esperança aos amados irmãos. São três verdades
bíblicas que todo crente deve guardar em seu coração.
Primeiro, o tempo de Deus é
diferente do nosso: um dia para o Senhor é como mil anos, e mil anos, como um
dia, disse Pedro certamente recordando o salmista (SI 90.4). Sabiamente, Warren
Wirsbe escreveu: “Deus pode realizar em um só dia aquilo que outros levariam um
milênio para fazer! Ele espera para operar, mas uma vez que começa seu
trabalho, ele o completa!”.
Se o tempo de Deus é
diferente do nosso, é bom confiar que o relógio dEle está batendo na medida
exata, sem adiantar ou atrasar. O tempo de Deus é diferente do nosso, afinal
Ele está fora do tempo. Nós, simplesmente mortais, nos sujeitamos ao relógio e
corremos atrás dos minutos e das horas. Costumamos pensar, dizia C. S. Lewis,
que todo o universo e até o próprio Deus passam do passado para o futuro, como
nós fazemos. Mas, com toda a certeza, Deus é atemporal, Ele está fora e além da
linha do tempo. “A vida dele não consiste em momentos que são seguidos por
outros momentos”, e é por isso que “Deus não precisa se afobar no fluxo de
tempo deste universo, assim como um escritor não precisa viver o tempo
imaginário de seu romance”.
Segundo, a promessa de Deus
não está atrasada como muitos creem (v. 9); o Eterno é soberano e trabalha de
acordo com o calendário dEle. Ter fé implica confiar que Deus está conduzindo a
curva da história da melhor maneira, não cabendo a nós duvidar ou questionar os
seus desígnios. Pedro não questiona e muito menos especula sobre a data exata
do Dia do Senhor. Afinal, Ele se lembrava da palavra de Jesus sobre esse
assunto: “Porém daquele Dia e hora ninguém sabe, nem os anjos dos céus, nem o
Filho, mas unicamente meu Pai” (Mt 24.36).
Terceiro, o Senhor é longânimo, e
está dando oportunidade para que os pecadores se arrependam. Certamente, a
afirmação de Pedro (não querendo que alguns se percam, senão que todos venham a
arrepender-se (v. 9) de modo algum está chancelando o universalismo, a ideia
segundo a qual todos serão salvos ao final. Até porque, o versículo é claro ao
estabelecer a condição para a salvação: o arrependimento.
A Bíblia diz com todas
as letras que Deus deseja que todos os homens sejam salvos (1 Tm 2.4). Vale
ressaltar que oportunidade universal da salvação está longe de ser uma
reivindicação de salvação universal. Olson explica que “a morte de Cristo na
cruz concedeu possibilidade de salvação a todos, mas ela é, de fato,
concretizada quando os humanos a aceitam por intermédio do arrependimento e fé”.
O propósito da morte de Cristo na cruz foi proporcionar a salvação a toda a
humanidade, mas sob a condição da fé em Cristo (Jo 3.16; 1 Tm 4.10). No que
tange à extensão, Cristo entregou-se na cruz por toda a raça humana, e não
apenas a um grupo seleto de eleitos (1 Jo 2.2).
Fonte: A razão de nossa esperança – Alegria,
Crescimento e Firmeza
nas Cartas de Pedro. Editora CPAD |
Autor: Pr. Valmir Nascimento.