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Introdução
O sexo é um dos
relacionamentos interpessoais no qual os indivíduos se engajam. É uma das
forças mais poderosas do mundo, porém uma das mais pervertidas. Talvez uma das
razões para sua perversão seja seu poder. Se o poder tende a corromper, neste
caso um grande poder tende a corromper grandemente. Do outro lado, boa parte do
abuso do sexo talvez resulte de um mal-entendimento acerca dele. Qual é o ponto
de vista cristão, acerca do sexo? O que as Escrituras realmente ensinam acerca
da atividade sexual?
I – CONCEITOS RELATIVOS À SEXUALIDADE
PALAVRA
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INFORMAÇÕES
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Sexo
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A
biologia define “sexo” como um conjunto de características orgânicas que
diferenciam o macho da fêmea.
A
palavra “sexo” pode ser usada como referência aos órgãos sexuais ou à prática
de atividades sexuais.
O
relacionamento sexual foi uma dádiva divina concedida ao primeiro casal e
também às gerações futuras (Gn 2.24).
SEXO
SOMENTE NO CASAMENTO - a legitimidade cristã para a satisfação dos apetites sexuais
entre um homem e uma mulher restringe-se ao casamento monogâmico (1 Co 7.9).
Toda prática sexual realizada fora disso constitui-se em sexo ilícito.
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Sexualidade
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O termo “sexualidade” representa o
conjunto de comportamentos, ações e práticas dos seres humanos que estão
relacionados com a busca da satisfação do apetite sexual, seja pela
necessidade do prazer, seja da procriação da espécie.
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Fornicação
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A
palavra "fornicação" é frequentemente usada na Escritura para
relações sexuais ilícitas fora do casamento, embora o modo geral de entender
é que ela subentende que pelo menos um membro do relacionamento não era
casado.
A
fornicação está relacionada ao contato
sexual entre pessoas solteiras. Para prevenir esse pecado, o apóstolo Paulo
orienta os cristãos a se casarem (1 Co 7.2, ACF).
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Práticas sexuais ilícitas
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Escrituras proíbem o uso do corpo
para práticas sexuais ilícitas (1 Co 6.16).
São
condenadas, dentre outras:
1) as relações incestuosas (Lv
18.6- 18),
2) o coito com animal (Lv 18.23),
3) o adultério (Êx 20.14) e a
4) homossexualidade (Lv 18.22; 1Co
6.9,10; Rm 1.26,27).
O corpo não pode servir à
promiscuidade (1 Co 6.13). Assim, o nosso corpo deve servir para glorificar,
e não para afrontar a Deus (1 Co 6.20).
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II - A BASE BÍBLICA PARA O SEXO
Basicamente,
a Bíblia diz três coisas acerca do sexo:
(1)
o sexo é bom,
(2)
o sexo é poderoso, e, portanto,
(3)
o sexo precisa ser controlado. Na realidade, as primeiríssimas referências ao
sexo dão a entender todos estes fatores.
O
sexo é intrinsecamente bom; não é mau. As Escrituras declaram que "Criou
Deus, pois, o homem à sua imagem... homem e mulher (isso é sexo!) os
criou" (Gn 1.27). E depois de acabar: "Viu Deus tudo quanto fizera, e
eis que era muito bom" (V. 31). O sexo é bom. Deus o fez, e dalguma
maneira reflete a Sua bondade. Talvez seja por causa do poder criador do sexo
que se assemelha a um aspecto do Ser de Deus. Ou talvez esteja na força dele de
realizar o vínculo mais forte de unidade e unicidade. Seja qual for a maneira
pela qual devamos entender que o sexo é bom como Deus, fica claro que,
fundamentalmente, o sexo é bom porque Deus o fez e o declarou bom.
1. O Sexo É Essencialmente Bom.
O
sexo é bom em si mesmo e por si mesmo porque faz parte da criação de Deus.
Diferentemente de muitas filosofias não cristãs (das variedades gnósticas e
platônicas), a Bíblia declara que a matéria e o universo físico (inclusive o
corpo do homem e os órgãos do corpo) são bons. Depois de cada dia da criação,
está escrito repetidas vezes: "E viu Deus que isso era bom" (Gn 1:10, 12, 18, 21, 25). Depois do dia final, está escrito: "... e
eis que era muito bom" (v. 31). O sexo era uma parte integrante desta criação muito boa. A
Bíblia confirma este ponto de vista noutro lugar, dizendo: "Tudo que Deus Criou é bom." (1 Tm 4: 4). Se o sexo parecer impuro a alguns, estamos lembrados
que "Todas as coisas são puras para os puros; todavia, para os impuros e descrentes,
nada é puro" (Tt 1:15).
Falando
especificamente acerca do sexo, o escritor da Epístola aos Hebreus declarou: "Digno de honra entre todos seja o
matrimónio, bem como o leito sem mácula" (Hb 13:4). O casamento é um estado honroso. O
casamento dificilmente poderia ser considerado honroso a não ser que o sexo
fosse bom, pois o sexo é parte integrante do casamento. O sexo é tão sagrado
que é usado na Escritura para ilustrar a união mais íntima que se pode ter com Deus. Paulo escreveu:
"Eis por que deixará o homem a seu pai e a sua mãe, e se unirá à sua
mulher, e se tornarão os dois uma só carne. Grande é este mistério, mas eu me
refiro a Cristo e à Igreja" (Ef 5:31, 32).
A
bondade intrínseca do sexo pode ser deduzida, também, do fato de que Deus
ordenou a união sexual. Deus disse ao primeiro casal: "Sede fecundos,
multiplicai-vos, enchei a terra," (Gn 1:28) — mandamento este que a raça está cumprindo
muito bem! Quando Eva teve seu primeiro filho, declarou: "Adquiri um varão
com o auxilio do Senhor" (Gn 4:1), reconhecendo, assim, a aprovação de
Deus do processo sexual. Decerto, a julgar pelas numerosas referências no
decurso das Escrituras à bênção dos filhos (cf. Sl 127:4, 5; Pv 17:6), Deus
julga que o sexo é bom.
2. O Sexo É Poderoso.
Não somente o sexo é essencialmente bom como também é muito poderoso.
Isto foi subentendido no fato de que podia ser usado para
"multiplicar" as pessoas e "encher" a terra (Gn 1:28). O
poder do sexo não somente é dramaticamente demonstrada na sua capacidade de
fazer o homem e a mulher "uma só carne", mas, sim, pelo tipo de
criatura que está produzindo. Os filhos dos pais humanos são gerados à imagem
de Deus. Adão foi feito à imagem de Deus, e "gerou um filho à sua
semelhança, conforme a sua imagem..." (Gn 5:3; Tg 3:9). Logo, pelo
processo da sexualidade humana são produzidos não somente muitos seres humanos
como também muitos "deuses." Jesus citou Salmo 82:6 que diz: "Eu
disse: Sois deuses, sois todos filhos do Altíssimo." (João 10:35). Quando
a natureza da criatura humana produzida através do sexo é plenamente apreciada,
provavelmente não seja exagero considerar o sexo um dos poderes mais relevantes
do mundo.
Quando
um esperma masculino e um óvulo feminino se unem, um pequeno "deus"
está sendo feito. Todas as demais condições sendo certas, o resultado daquela
concepção será uma criatura que tanto se assemelha a Deus quanto O representa
na terra. 1 Sem decidir aqui a questão acerca do embrião ou feto,
ainda não nascido, ser verdadeiramente humano,2 é um fato indisputável
que, dadas as circunstâncias apropriadas, certamente se tornará uma criatura
imortal. Os seres humanos são pessoas imortais, que nunca morrem. Viverão para
sempre. Decerto, este não é nenhum poder comum que é dado aos filhos dos
homens, que é capaz de transmitir para o mundo uma pessoa imortal, feita à
semelhança do próprio Deus. O sexo humano, portanto, não somente é bom por
natureza, mas também é grande no seu poder. É grande, tanto em virtude
de quanto pode produzir, como também em virtude do tipo de criatura que é o
produto, uma pessoa que nunca morre.
3. O Sexo Precisa Ser Controlado.
É óbvio que qualquer coisa tão poderosa quanto o sexo precisa ser
controlada. Ninguém em sã consciência deixaria crianças imaturas brincar com
dinamite. Nem qualquer agente responsável tornaria as armas atômicas
disponíveis ao público em geral. Mesmo assim, o sexo, de muitas maneiras, é
mais poderoso do que a dinamite ou o poder atômico. A única posição razoável
que se pode adotar a respeito de qualquer força tão poderosa como o sexo é que
ele deve ser controlado ou regulado. Deve haver maneira de canalizar e dirigir
o poder do sexo para o bem dos homens. Porque se o poder do sexo, como o poder
do átomo, não for aproveitado para propósitos bons, então seu abuso pode
ameaçar a destruição da humanidade.
Conforme
a Bíblia, o meio ordenado por Deus de dirigir e regular o poder bom e grande do
sexo, é chamado casamento. "Por isso deixa o homem pai e mãe, e se une à sua mulher, tornando-se os dois uma só carne" (Gn 2:24). Jesus
acrescentou: "De modo que já não são mais dois, porém uma só carne.
Portanto, o que Deus ajuntou não o separe o homem" (Mt 19:6). Ou seja: o casamento que junta o
homem e a mulher num relacionamento sem igual e permanente é o canal
estabelecido por Deus a fim de regular o poder do sexo.
Naturalmente,
o sexo não é somente o poder para procriar; também é um poder para o prazer.
Mas seja qual for o tipo do poder do sexo, deve ser controlado. Nenhuma paixão
deve ser deixada desenfreada. O estupro e os crimes sexuais sadísticos não
podem ser justificados meramente porque trazem prazer a quem assim abusou.
Mesmo se fosse verdade que somente os prazeres são intrinsecamente bons, não se
segue que todos os prazeres são bons. Alguns prazeres danificam a si mesmos e/ou aos
outros. Por exemplo, os prazeres que alguns obtêm de serem cruéis, ou injustos,
ou odiosos não são prazeres bons. Além disto, nem todos os prazeres são
igualmente bons; alguns são superiores aos outros. Logo, não se pode justificar
um exercício descontrolado do sexo meramente pelo motivo dele dar prazer. Todos
os prazeres devem ser controlados, e há satisfações espirituais superiores aos
meros prazeres físicos do sexo. Segundo as Escrituras, o canal para controlar o
poder do prazer das relações sexuais (bem como seu poder procriador) é o
casamento. Esta conclusão está amplamente apoiada por um estudo da função do
sexo dentro das Escrituras.
A
função do sexo pode ser vista de vários ângulos: (1) antes do casamento, (2)
dentro do casamento monógamo, (3) fora do casamento, (4) dentro do casamento
polígamo, (5) e para divorciados.
1. O Papel do Sexo Antes do Casamento.
No
que diz respeito à Bíblia, não há papel algum para as relações sexuais antes do
casamento. A relação já é um tipo de casamento. Se estiver fora de um compromisso vitalício do
amor, então é um "casamento" ruim. Na realidade, é um pecado que a Bíblia
chama de fornicação (Gl 5.19; 1 Co 6.18).
A
primeira referência ao casamento declara que o homem e a mulher ficam sendo
"uma só carne" (Gn 2.24), o que dá a entender que o casamento ocorre
quando dois corpos são juntados. Que a relação sexual é casamento fica sendo
ainda mais claro pela maneira comum de descrever o ato como sendo um homem
"deitando-se" com uma mulher. Moisés ordenou: "Se um homem for
achado deitado com uma mulher que tem marido, então ambos morrerão..." (Dt
22.22).
O
Novo Testamento confirma isto, ainda mais, pelo uso das palavras
"matrimónio" e "leito nupcial" em paralelo (Hb 13.4). Neste
sentido, não há relações sexuais antes do casamento. A relação Já inicia um "casamento." Se
não for empreendida dentro de um compromisso vitalício do amor, então foi
uma união má, um ato de fornicação. E quando um par tinha relações, o homem era obrigado a pagar indenização do casamento ao pai da moça e tomá-la por sua esposa (Dt 22.28).
E
quando um homem vai para uma prostituta, a Bíblia considera isto como um
"casamento." Paulo escreveu: "Não sabeis que o homem que se une à prostituta, forma um só corpo
com ela?" citando como sua prova que as Escrituras dizem: "Serão os
dois uma só carne" (1 Co 6.16). Em síntese, não existem relações sexuais
pré-nupciais na Bíblia. Se o casal não fosse casado, então as relações o
tornariam casado. Se já estivesse casado, então as relações com outra pessoa
formariam para eles um segundo casamento, adúltero. A prostituição é
considerada um casamento ilegítimo.
Um
casal de noivos que tem relações sexuais consumou, desta forma, o seu casamento
diante de Deus e deve legalizá-lo diante do estado tão logo quanto possível,
visto que Deus ordena os cidadãos a serem obedientes aos regulamentos do governo (Rm
13.1; 1 Pe 2.13). Casais e noivos, segundo Paulo, devem ou controlar seus
impulsos sexuais, ou, senão, casar-se. Escreveu: "Entretanto, se alguém
julga que trata sem decoro sua noiva (filha — ARA), estando já a passar-lhe a
flor da idade, e as circunstâncias o exigem, faça o que quiser. Não peca; que
se casem." (1 Co 7:36). Do outro lado, "o que está firme em seu
coração, não tendo necessidade, mas domínio sobre o seu próprio desejo
(arbítrio — ARA), e isto bem firmado no seu ânimo, para conservar virgem a sua
noiva (filha — ARA), bem fará" (v. 37) (N. Tr. O conceito de se tratar de
uma "noiva" aparece no inglês na RSV). Ou seja, as relações sexuais
não são apropriadas para casais de noivos. Devem ou refrear suas emoções, ou
casar-se. E quando realmente se dão às relações sexuais, então já estão casados
aos olhos de Deus e devem legalizar o caso diante do estado, se assim fizer a
lei do país.
Quanto
às relações sexuais pré-nupciais entre os que não estão prontos a casar-se, a
resposta é "Não". Se a pessoa não está pronta para tomar sobre si as
responsabilidades de uma pessoa e família, não deve mexer com o sexo. A
exortação de Salomão é aplicável aqui: "... a adúltera anda à caça de vida
preciosa. Tomará alguém fogo no seio, sem que as suas vestes se
incendeiem?" (Pv 6.26, 27). Não se deve "começar" nada a não ser
que se esteja disposto a ir até ao fim. E não deve ir até ao fim até que seja
casado, porque as relações sexuais estão reservadas para o casamento aos olhos
de Deus.
No
que diz respeito à autossexualidade (i.e., a masturbação), é geralmente errada.
A sublimação (drenar a energia sexual através do exercício) e as emissões
noturnas naturais são consideradas maneiras legítimas de queimar energia sexual
excessiva.
A masturbação é pecaminosa:
(1)
quando seu único motivo é mero prazer biológico,
(2)
quando é permitido tornar-se um hábito compulsivo, e/ou
(3)
quando o hábito resulta de sentimentos de inferioridade e causa sentimentos de
culpa.
A
masturbação é pecaminosa quando é realizada em conexão com imagens
pornográficas, porque, conforme disse Jesus, a concupiscência é uma questão dos
interesses do coração (Mt 5.28). A masturbação pode ser certa se for usada como
um programa limitado e temporário de controle-próprio para evitar a
concupiscência antes do casamento. Se a pessoa se comprometer plenamente a
viver uma vida pura antes do casamento, talvez seja permissível ocasionalmente
usar o estímulo autossexual para aliviar sua própria tensão. Enquanto não se
tornar um hábito nem um meio de gratificar sua concupiscência, a masturbação
não é necessariamente imoral. De fato, quando o motivo não é a concupiscência,
porém
o controle-próprio, a masturbação pode ser um ato moral (1 Co 7.5; 9.25). A regra bíblica é
que tudo quanto possa ser feito para a glória de Deus, tudo quanto não escraviza
o praticante (1 Co 10.31; 6.12) é moral até àquele ponto. A masturbação usada
com moderação para o propósito de manter sua pureza, não é imoral.
2. O Papel do Sexo no Casamento.
Há
várias funções básicas do sexo no casamento, são:
(1)
levar a efeito uma unidade íntima sem igual entre duas pessoas;
(2)
fornecer êxtase ou prazer para as pessoas envolvidas neste
relacionamento sem igual,
(3)
levar a efeito uma multiplicidade de pessoas no mundo por meio de ter
filhos. Respectivamente, as três funções básicas do sexo no casamento são a
unificação, a recreação, e a procriação.
ü Primeiramente, o casamento visa trazer dois seres humanos à unificação mais estreita possível. "Os
dois se tornarão uma só carne" é repetido uma vez após outra na
Escritura (Gn 2.24; Mt 19.5; 1 Co 6.16; Ef 5.31). Tão sem igual é esta união conjugal levada a efeito pelo sexo, que a Bíblia a usa para
ilustrar a união mística que o crente tem com Cristo (Ef 5.32). É a natureza
única, de um só relacionamento do seu tipo, que exige que o homem mantenha
relações sexuais com uma só mulher. Não é realmente possível ter dois
relacionamentos de um tipo único ao mesmo tempo.
O casamento
— na realidade, o casamento monógamo — é a única maneira controlada para manter
um relacionamento continuamente único entre o marido e a esposa. Na poligamia,
há a ameaça sempre-presente dos ciúmes e a questão de quem é a esposa
"predileta." Realmente, não é possível ter duas esposas
"prediletas" no mesmo sentido. Logo, é possível para um homem ter um
relacionamento sem igual com uma só esposa. O casamento monógamo é o ideal
divino para atingir este relacionamento ideal entre duas pessoas.
ü A segunda
função do sexo no casamento é recreacional.
As
relações sexuais são literalmente uma recriação da grande felicidade da união
nupcial original. É uma lembrança sacramental da alegria do seu primeiro amor.
A união sexual é a reunião feliz daqueles que foram feitos um só pelo
casamento. A satisfação que o sexo fornece é o prazer obtido da reafirmação do
preito original do mútuo amor. Quanto a isto, as funções re-creacionais e
reunificacionais do casamento são inseparáveis. Porque o prazer real do sexo é
aquele que é obtido da reafirmação e do reforço da união sem igual que o
casamento efetuou no início. Destarte, a tentativa de ter o prazer do sexo sem
o relacionamento igual e permanente do casamento e ilusório. A alegria
verdadeira vem somente com a união verdadeira, e a união verdadeira somente vem
se houver um relacionamento sem igual e permanente entre duas pessoas do sexo
oposto (1 Tm 4:3; 6:17).
ü O terceiro
papel do casamento é a procriação.
O
fruto da união no matrimónio é a multiplicidade da prole. É lógico, os filhos
são o resultado natural, porém não necessário, do casamento. 6
Embora casar-se seja a coisa natural a se fazer, não é necessário casar-se. Um
solteiro pode resolver não casar, sem pecar (Mt 19.12; 1 Co 7.7, 8).
Semelhantemente, um casal pode resolver não ter filhos, sem pecar (1 Co 7:5),
embora seja natural tê-los. Quando os filhos resultam do casamento são uma
razão adicional para manter o casamento com um relacionamento sem igual e
permanente entre os pais. Os filhos precisam da disciplina amorosa (Pv 22.15;
Ef 6.4; Cl 3.31). Precisam da união e da segurança fornecidas pelo casamento
feliz dos seus pais. Nem a poligamia, nem o divórcio, nem a anonimidade, nem a
comunidade de pais têm se revelado fatores fortalecedores nas personalidades
dos filhos. Quase nada é superior a uma união perpétua entre a mãe e o pai para
a criação de filhos saudáveis e felizes.
A
função do sexo dentro do casamento é tríplice: a unificação, a recreação, e a
procriação. Todos estes papéis demonstram a necessidade da fidelidade conjugal. Sempre que o relacionamento sem
igual do casamento é quebrado
pelas relações sexuais extraconjugais, a pessoa não somente destruiu a união
sem igual do casamento como também diminuiu a possibilidade do prazer
verdadeiro, sem falar do
enfraquecimento da base da estabilidade para quaisquer filhos desta união.
A
partir destas três funções positivas do sexo no casamento, um papel negativo
pode ser deduzido. O sexo dentro do casamento é o modo de satisfazer aquilo que
seria concupiscência e que levaria à promiscuidade fora do casamento. "Por
causa da impureza, cada um tenha a sua própria esposa e cada uma o seu próprio
marido," escreveu o apóstolo (1 Co 7.2).
Todos
os solteiros devem manter-se sob controle-próprio sexual, "Caso, porém,
não se dominem, que se casem; porque é melhor casar do que viver abrasado" (1 Co 7.9). Semelhantemente, aos
jovens cristãos tessalonicenses Paulo escreveu: "Pois esta é a vontade de
Deus, a vossa santificação: que vos abstenhais da prostituição, que cada um de
vós saiba possuir o próprio corpo em santificação e honra, não com o desejo de
lascívia, como os gentios..." (1 Ts 4.3-5). Numa palavra, juntamente com
os três propósitos positivos do sexo dentro do casamento há uma razão negativa,
o casamento fornecerá um canal preventivo para o impulso sexual, de modo que a
pessoa possa evitar a imoralidade.
3. O Papel do Sexo Fora do Casamento.
Tendo
em mente os propósitos do casamento podemos compreender mais facilmente as
proibições fortes na Escritura acerca das relações extra-conjugais ilícitas. O
adultério, a fornicação, a prostituição, a sodomia (a homossexualidade) são
todos fortemente condenados. Cada um destes pecados, da sua própria maneira,
viola um relacionamento interpessoal divinamente instituído.
O
adultério e a prostituição são errados por duas razões básicas, são casamentos
múltiplos. Em primeiro lugar, são tentativas para levar a efeito muitos
relacionamentos intimíssimos ao mesmo tempo. Em cada caso, a pessoa está
enganando a pessoa a quem realmente mais ama e, provavelmente, mentindo a quem
não ama. A segunda razão porque a fornicação é errada, é porque visa ser apenas
uma união temporária, ao passo que Deus deseja que a união sexual seja
duradoura e permanente (Mt 19.6). Não há maneira de assegurar o máximo prazer
numa união conjugal a não ser que se ache dentro do contexto de um compromisso
mútuo vitalício do amor.
A
Bíblia é enfática: "Não adulterarás" (Êx 20.14). No Antigo Testamento
os adúlteros deviam ser executados (Lv 20.10). O Novo Testamento também é
enfaticamente contra o adultério. Jesus o pronunciou errado até mesmo nos seus
motivos mais básicos (Mt 5.27,28). Paulo o chamava uma obra má da carne (Gl
5:19), e João teve visão da presença de adúlteros no lago do fogo (Ap 21.8).
A
palavra "fornicação" é frequentemente usada na Escritura para
relações sexuais ilícitas fora do casamento, embora o modo geral de entender é
que ela subentende que pelo menos um membro do relacionamento não era casado.
Os apóstolos conclamavam todos os cristãos a abster-se da fornicação (também
chamada incastidade) (At 15.20). Paulo disse que o corpo não é para a
fornicação e que o homem deve fugir dela (1 Co 6.13, 18). Os efésios foram
informados que a fornicação nem sequer deveria ser mencionada entre eles (5.3).
A fornicação é má porque ela, também, é um "casamento" fora do
casamento, porque junta as pessoas de uma maneira ilícita sem elas pretenderem
levar a efeito as implicações permanentes e sem igual do seu relacionamento.
A
homossexualidade não está na mesma classe dos pecados heterossexuais do
adultério, da prostituição e da fornicação. A homossexualidade é diferente
destes três porque não ocorre nenhuma relação sexual no sentido rigoroso da expressão, e
nenhum nascimento pode resultar dela. Mesmo assim, a homossexualidade no sentido
de sexualmente estimular e manipular uma pessoa do mesmo sexo é especificamente
proibida na Escritura.
No
Antigo Testamento, este pecado era chamado sodomia, segundo o nome da cidade
iníqua, Sodoma, que foi destruída por causa desta perversidade (Gn 19.5-8, 24).
Mais tarde, a lei de Moisés proibiu qualquer "sodomita" (ARC) de
fazer parte da comunidade de Israel (Dt 23.17). Mais tarde, durante as reformas
do rei Asa, "tirou da terra os prostitutos-cultuais..." (1 Rs 15.12).
Há muitas referências aos pecados de Sodoma (Is 3.9; Ez 16.46).
O
Novo Testamento é igualmente claro sobre o assunto. Romanos, capítulo um, fala
da homossexualidade como sendo aquilo que mudou "o modo natural de suas
relações íntimas, por outro contrário à natureza" (v. 26). É uma "torpeza"
que resulta de paixões vis (v. 27). Noutra passagem, Paulo escreveu: "Não
vos enganeis: nem impuros, nem idólatras, nem adúlteros, nem efeminados, nem
sodomitas... herdarão o reino de Deus" (1 Co 6.9). Estas todas são
perversões do uso apropriado do sexo. Atos heterossexuais são errados fora do
casamento porque estabelecem um relacionamento de marido e esposa entre aqueles
que não são marido e esposa. Os atos homossexuais são errados porque
estabelecem um relacionamento sem igual de marido e mulher entre os que não
podem ser marido e mulher, por serem do mesmo sexo.
Naturalmente,
as proibições bíblicas contra a homossexualidade não se referem a amizades
estreitas (com afeição física) entre os do mesmo sexo. Tais amizades são tanto
normais quanto belas. Davi e Jonatas são um exemplo clássico. As Escrituras
dizem: "A alma de Jonatas se ligou com a de Davi; e Jonatas o amou, como à
sua própria alma" (1 Sm 18.1). A amizade íntima é uma coisa; os encontros
sexuais ilegítimos e não naturais são coisa bem diferente.
4. O Papel do Sexo nos Casamentos Múltiplos.
Há
pouca questão de que a poligamia era permitida por Deus nos tempos bíblicos.
Até alguns dos grandes santos tinham, várias esposas (Abraão, Davi, Salomão). O
problema verdadeiro não é se Deus permitiu a poligamia, mas se Ele a planejou. Ou seja: a poligamia, como o divórcio, era algo que Deus tolerou, mas
realmente não desejou?
Há bastante
evidência, mesmo dentro do Antigo Testamento, que a poligamia não era o ideal
de Deus para o homem.
Que
a monogamia era Seu ideal para o homem fica óbvio de várias perspectivas.
(1)
Deus fez uma só pessoa para Adão (Gn 2.18ss.), estabelecendo, assim, o
precedente ideal para a raça.
(2)
A poligamia é mencionada pela primeira vez como parte da civilização cainita
ímpia (Gn 4.23).
(3)
Deus claramente proibiu os reis de Israel (os líderes eram as pessoas que se
tornavam polígamos) dizendo: "Tão pouco para si multiplicará mulheres,
para que o seu coração se não desvie" (Dt 17.17).
(4)
Os santos que se tornaram polígamos pagaram seus pecados. 1 Rs 11.1, 3 diz:
"Salomão amou muitas mulheres estrangeiras... Tinha setecentas mulheres,
princesas, e trezentas concubinas; e suas mulheres lhe perverteram o coração”.
(5)
O maior polígamo do Antigo Testamento, Salomão, deu testemunho do fato de que
tinha um só verdadeiro amor, para quem escreveu Cantares. Este livro é a maior
repreensão contra a poligamia, escrita pelo maior polígamo. Até mesmo Salomão
com suas 1.000 esposas somente tinha um amor verdadeiro.
(6)
A poligamia usualmente está situada no contexto do pecado no Antigo Testamento.
O casamento de Abraão com Hagar era claramente um ato carnal de descrença (Gn
16.1-2). Davi não estava num ponto alto espiritual quando acrescentou Abigail e
Ainoã como esposas (1 Sm 25.42, 43), nem Jacó quando se casou com Lia e Raquel
(Gn 29.23 28).
(7)
O relacionamento polígamo era menos do que ideal. Criava ciúmes entre as
mulheres. Jacó amava Raquel mais do que a Lia (Gn 29.31). Uma esposa de Elcana
era considerada uma rival ou adversária pela outra, que "a provocava
excessivamente para a irritar..." (1 Sm 1.6).
(8)
Quando a poligamia é referida, o condicional, e não o imperativo é empregado. "Se ele der ao filho outra mulher, não diminuirá o mantimento da primeira,
nem os seus vestidos, nem os seus direitos conjugais" (Êx 21.10). A
poligamia não é o ideal moral, mas o polígamo deve ser moral.
(9)
O Novo Testamento preceitua a monogamia como condição prévia para os líderes da
igreja. "É necessário, portanto, que o bispo seja irrepreensível, esposo
de uma só mulher..." (1 Tm 3.2), escreveu o apóstolo.
(10)
A monogamia não somente era exigida para os líderes da igreja como também era
recomendada para todos os homens. Paulo escreveu: "Mas por causa da
impureza, cada um tenha a sua própria esposa e cada uma o seu próprio
marido" (1 Co 7.2).
A
poligamia é inferior à monogamia porque não se pode ter um relacionamento único
(de um só tipo) com mais do que uma só esposa. As demais esposas nunca serão
mais do que uma segunda escolha, e não farão parte daquela união mais íntima
que Deus designou para o casamento. Os ciúmes e o ódio serão os resultados
naturais do relacionamento polígamo.
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