O
anjo Gabriel declarou que "para Deus não haveria impossíveis em todas as
suas promessas" (Lc 1.37). Fazer os idosos Zacarias e Isabel conceber foi
tão fácil para Deus como fazer Maria de Nazaré conceber um filho sem pai
humano. "Nascimento virginal" é a expressão teológica para a geração,
pelo poder do Espírito Santo, do menino Jesus por Maria, que era virgem, Lucas,
que coletou Testemunhos oculares apurados com cuidado (1.1-4), incluiu vários
detalhes que confirmam a gravidez de Maria sem que o pai fosse humano:
1)
Maria é descrita como virgem (parthenos),
noiva de um homem de nome José (1.27).
2)
Maria disse que não podia engravidar porque "não tenho relação com homem
algum" (1.34),
3)
O anjo disse que a gravidez aconteceria quando o Espírito Santo viesse sobre
Maria e "o poder do Altíssimo" a envolvesse "com a sua
sombra" (1.35).
4)
Jesus é descrito, "como se cuidava, filho de José" (3.23). Mateus
acrescenta a isso:
5)
José, quando descobriu que sua noiva Maria estava grávida, quis romper o
noivado (1.18, 19).
6)
O nascimento virginal é o cumprimento de Isaías 7,14 (Mt 1.22, 23).
7)
José não teve relações sexuais com Maria antes do nascimento de Jesus (1.25).
8)
O restante do Novo Testamento tem diversas alusões possíveis ao nascimento
virginal. Os inimigos de Jesus perguntaram sobre seu pai 0o 8.19,41). Alguns
dos vizinhos de Jesus em Nazaré o chamaram "o filho de Maria" (Mc
6.3). Paulo disse que ele era "nascido de mulher" (Gl 4.4) e é o
"homem celestial" (1Co 15.45, 48).
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Via
de regra, parthenos se refere a uma
mulher jovem que ainda não se casou e, portanto, não teve relações sexuais. Por
exemplo, as quatro filhas de Filipe são chamadas parthenos (At 21.9). O termo também se aplicava a homens jovens
solteiros, que não haviam mantido relações sexuais. Paulo contrasta a pessoa
virgem com a pessoa casada (1Co 7.25-28), e os 144.000 em Apocalipse 14.4 são
homens virgens.
Mateus
referiu-se à gravidez de Maria e ao nascimento de Jesus como cumprimento
delsaías 7.14. Quando o rei Acaz, de Judá, se recusou a pedir um sinal de Deus,
este lhe deu o sinal assim mesmo: "A virgem conceberá e dará à luz um filho
e lhe chamará Emanuel". Antes que essa criança atingisse a idade da
responsabilidade (doze anos?), a terra dos dois reis que ameaçavam Acaz ficaria
deserta (Is 7.16).
Isaías
e sua esposa, a profetisa, logo depois tiveram um filho a quem chamaram
Maher-Shalal-Hash-Baz (Rápido-Despojo-Presa-Segura), como sinal de que em breve
Damasco e Samaria seriam conquistadas pelos assírios (Is 8.1,4,18).
As
duas cidades caíram no período de treze anos depois da profecia (732 e 722
a.C.). Assim, a profecia em Isaías tem pelo menos dois cumprimentos: um no
filho dele e outro era Jesus. Isaías talvez tenha esperado um cumprimento mais
perfeilo no futuro, já que ele e sua esposa não chamaram seu filho
"Emanuel", apesar de "Deus" ter estado "com eles"
para proteger Judá dos seus adversários.
O
nascimento virginal do filho de Maria tornou-se cedo um ponto importante da
doutrina cristã, porque garantia que Jesus era realmente "santo",
"filho de Deus" (Lc 1.35). Por ter mãe humana, Jesus pelo Espírito
Santo, Jesus era plenamente Deus. Por isso, Jesus diário ser intermediário perfeito
entre Deus e a humanidade e o representante desta (Hb 2.17; 4.15; 7.26-28).
Inácio,
bispo de Antioquia que viveu no primeiro século d.C., mencionou o nascimento
virginal pelo menos cinco vezes em suas oito cartas que foram preservadas. Por
exemplo, aos cristãos de Esmirna ele escreveu: O Senhor Jesus Cristo "á
verdadeiramente da família de Davi .segundo a carne, Filho de Deus pela vontade
e poder de Deus, realmente nascido de uma virgem" (1.1; veja também Aos
efésios 7.2; 18.2; 19.1; Aos Irálios 9.1).
Justino
Mártir, que viveu no segundo século d.C., explicou em sua Primeira apologia que
Jesus "foi gerado por Deus como a Palavra de Deus de maneira singular além
do nascimento comum" (22). "Porque' a virgem conceberá' significa que
ela daria à luz sem ter tido relações sexuais. [...] O poder de Deus [...] a
fez conceber, enquanto era ela ainda virgem" (33).
O
Novo Testamento não apresenta o nascimento virginal de Jesus como um fato
estranho mas simplesmente cumprimento de uma promemessa que o Deus
Todo-poderoso Fez a uma mulher hebréia pobre e devota.
Do
mesmo modo que a glória shehinab
encheu o tabernáculo e assim como uma águia abriga seus filhotes sob suas asas
(Êx 40.35; 19.4; Sl 91.4),o Espírito de Deus a cobriu "com sua
sombra" (episkiadzo) e Maria concebeu (Lc 1.35, NVI). Apesar de um judeu
considerar "a mais hedionda Impiedade" a possibilidade de "Deus
tornar-se humano" ou de "um ser humano tornar-se Deus" (Filo,
Embaixada a Gaio XVI), Maria creu (mesmo sem talvez entender plenamente),
porque assentiu que "para Deus não há impossíveis em todas as suas
promessas".
Fonte: Manual Bíblico Vida Nova –
David S. Dockery